Um projeto comunitário · interior rural de Portugal
Entrelaçados.
A ligar pessoas, lugar e um futuro regenerativo, a partir de uma pequena quinta que há cinco anos pratica vida regenerativa. De dezembro de 2026 a julho de 2027 abrimos o portão a quatro encontros que seguem a vida de uma planta.
Casais de São Clemente · Miranda do Corvo · Coimbra
A Casa da Eira dos Nove foi selecionada em 2026 como Comunidade Pathfinder do Regenerative Communities Fund da ECOLISE, no âmbito do projeto europeu Funding Fairer Futures, cofinanciado pela União Europeia. Ler o anúncio ↗
O lugar
Uma quinta na linha da frente do interior rural.
Há cinco anos que praticamos aqui vida regenerativa: agrofloresta, construção natural, conservação de alimentos, acolhimento de voluntários e tecnologias de baixo impacto.
A nossa região carrega as pressões que mais pesam sobre o interior rural de Portugal: uma população envelhecida e a diminuir, serviços escassos, seca e um risco crescente de incêndio. A par disto vive um desafio mais silencioso, a fragmentação social: muitos dos mais velhos vivem sós, e quem chegou de novo vive uma vida paralela, com poucas ocasiões para se encontrar.
Casa da Eira dos Nove · a quinta
A nossa aposta
A coesão da comunidade é adaptação climática.
Uma comunidade ligada partilha saber, cultiva alimento, cuida da terra e ampara os mais vulneráveis. Por isso criamos espaços acolhedores onde residentes, recém-chegados, famílias e jovens se encontram em torno da terra, do alimento, da cultura e da vida da aldeia. A prática partilhada e a troca informal tecem as ligações de que se faz um futuro rural resiliente e justo.
A maior infraestrutura de um lugar são as relações que o habitam.
O que procuramos
Quatro objetivos, um todo entrelaçado.
Encontros com sentido
Trazer residentes de sempre, recém-chegados, famílias, mulheres, voluntários e jovens a uma relação real. Reduzir o isolamento através de atividades práticas, refeições partilhadas e cultura.
Saber que perdura
Partilhar saberes de agrofloresta, conservação de alimentos, soluções de baixa tecnologia e construção natural, tecendo o conhecimento tradicional com o que vai emergindo.
Consciência ecológica
Ajudar a ver como a ação da comunidade contribui para a regeneração, a resiliência climática, a justiça climática e o desenvolvimento rural.
Em rede
Ligar o nosso trabalho local ao ecossistema do Regenerative Communities Fund, ao hub nacional Re.RuRal e a outras comunidades em Portugal e na Europa, e trazer os decisores locais para a conversa.
Encontros · dezembro de 2026 a julho de 2027
Quatro encontros, um ciclo vivo.
Quatro encontros na terra, cada um a levar algo para o seguinte. As sementes trocadas em dezembro tornam-se as mudas partilhadas em março; o composto feito em maio alimenta-as; em julho comemos o que cresceu e guardamos semente para o ano seguinte. Cada encontro decorre da manhã ao fim da tarde, com almoço em conjunto; os de março e julho estendem-se por um fim de semana.
Conhecer os vizinhos, os mais velhos, as famílias recém-chegadas e migrantes, os jovens, as associações locais, a junta de freguesia e o município. Primeiro, escutar.
pessoas · lugarTroca de sementes e início de uma rede de troca de mudas biológicas, com uma visita à floresta comestível. Almoço e conversa. Traz as tuas sementes.
semente · floresta comestívelOficinas para guardar a colheita, dos fermentados às compotas, com agricultores familiares convidados da região. Partilhamos o que conservámos e trocamos as mudas criadas desde dezembro. Um fim de semana na chegada da primavera, com música e dança, e a possibilidade de acampar.
muda · alimento · culturaDemonstração de um biomeiler comunitário, vermicompostagem e a diferença entre compostagem quente e fria. Almoço em conjunto, e levas para casa um saco de composto para as tuas mudas.
composto · soloUm fim de semana para celebrar o que aprendemos: à mesa, o que cresceu das mudas trocadas; na terra, uma atividade de construção natural; e sementes guardadas para o ano seguinte, fechando o ciclo. Música, dança e comida. O programa ainda está a ganhar forma.
colheita · semente · construção naturalUm encontro aberto com a junta de freguesia e a Câmara Municipal de Miranda do Corvo sobre o futuro das aldeias do interior, no âmbito do 11.º Dia Europeu das Comunidades Sustentáveis.
comunidade · decisores locaisOlhar em conjunto para o que aconteceu e o que continua, e partilhar a nossa história com a rede europeia.
reflexão · históriaTodo o ano
O que a terra oferece, todo o ano.
Os encontros nascem do que já se faz aqui todos os dias. Entre um encontro e o seguinte, o portão continua aberto, seja qual for a tua origem ou experiência. Fala connosco e combinamos.
Viver e trabalhar na terra por uma estação. Vida regenerativa no dia a dia, refeições partilhadas, saber feito com as mãos.
Dias abertos na floresta comestível, com o Lucas: plantar, podar, cuidar da água e do solo.
A cozinha que guarda a colheita, com a Rafa: secagem, conservas, fermentados, compotas. Saber tradicional, partilhado.
Terra, madeira e pedra. Construir em conjunto com materiais locais e métodos de baixo impacto.
Danças tradicionais e uma mesa comum. A cultura como ligação, entre idades e origens.
Calor por compostagem (biomeiler) e outras soluções simples feitas com o que a terra dá, mostradas e explicadas.
O círculo
Um círculo de três, a praticar desenvolvimento regenerativo.
A Casa da Eira dos Nove é sustentada por um círculo de três. O Lucas e a Rafa moldaram esta terra ao longo de anos de desenvolvimento regenerativo, da floresta comestível e das construções naturais à cozinha que guarda a colheita e a uma casa aberta a voluntários e vizinhos. O Gonçalo acrescenta estrutura, governação e desenho organizacional. Juntos ancoram um nó regenerativo para a região de Coimbra.
Nasceu e cresceu em Casais de São Clemente, numa família de pioneiros da agricultura biológica em Portugal. Lidera a floresta comestível e os sistemas regenerativos da quinta, com longa prática em agrofloresta, construção natural e vida de baixo impacto, e dinamiza as demonstrações práticas dos encontros. Coordena o projeto com a Rafa e representa o grupo junto do Regenerative Communities Fund.
Vive na Casa da Eira dos Nove desde 2012. Educadora numa comunidade de aprendizagem, professora de danças tradicionais e cozinheira com longa prática em cozinha vegetariana e conservação de alimentos. Leva o lado comunitário do desenvolvimento regenerativo: a aproximação às pessoas, os encontros e as refeições partilhadas, as ligações entre idades e origens. Coordena o projeto com o Lucas.
Décadas de trabalho na arquitetura de organizações e sistemas vivos. Traz ao círculo direção estratégica e avaliação, e apoia a governação, o acompanhamento e os relatórios.
Uma transição justa
Há lugar para todos a esta mesa.
Aqui, uma transição justa é uma mudança equitativa que enfrenta as raízes da exclusão, para que pessoas de gerações e origens diferentes possam dar forma ao futuro da sua comunidade. Valoriza o saber tradicional a par das abordagens regenerativas e mantém a participação aberta a todos, seja qual for o rendimento, a nacionalidade ou a experiência. Damos atenção particular às mulheres, que guardam grande parte do saber alimentar e cultural e co-lideram esta iniciativa, e aos jovens, que tantas vezes deixam o interior por falta de oportunidade.
Participar
Vem entrelaçar-te connosco.
O primeiro encontro é no sábado, 5 de dezembro de 2026, na Casa da Eira dos Nove, em Casais de São Clemente. Junta-te a um encontro, faz voluntariado por uma estação, traz o teu saber à mesa, ou ajuda a levar o trabalho por diante. Há aqui um lugar para ti.
Apoio
A Casa da Eira dos Nove é uma Comunidade Pathfinder do Regenerative Communities Fund (RCF), coordenado pela ECOLISE, a rede europeia de iniciativas comunitárias para as alterações climáticas e a sustentabilidade. O projeto Entrelaçados (Interwoven) é financiado através do Funding Fairer Futures (FFF), um projeto cofinanciado pela União Europeia no âmbito do Programa DEAR.
Anúncio da ECOLISE ↗·ECOLISE ↗·Funding Fairer Futures ↗
Este documento foi produzido com o apoio financeiro da União Europeia. O seu conteúdo é da exclusiva responsabilidade da Casa da Eira dos Nove e não pode, em caso algum, ser considerado como refletindo a posição da União Europeia.